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taí.
já fechou os olhos bem apertados e pediu com bastante vontade?
Escrito por Maria Casadevall às 01h04
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escolhido.
"è preciso estar sempre embriagado. com vinho, poesia ou virtude, a escolher" Baudelaire
Escrito por Maria Casadevall às 03h18
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reduto de baratas ilhadas
tem os seios rosados de mamilos salientes refletidos em vidro quase-verde de gotas d'agua.não veêm. mas a menina chora.o vidro esta sim embaçado.água que toca raiz de cabelos teus.mamilos rosados de seios teus.escorre pelo ralo de paredes imundas e baratas astutas. água artista.procedimento sedimentadamente cíclico. desenha silhueta nua. afinal: são lágrimas ou gotas d'agua desenhistas? ah !baratas lá sabem o que são lágrimas?já estão mesmo frias quando encontram tamanha sujeira. é por isso que passa batom antes do banho.pois apesar de ter cabelos molhados e desamores familiares de baratas cascudas, sabe que lábios vermelhos sempre deixam a fotografia mais bonita. esqueceu-se denovo de lembrar da melancolia inerente a verdadeira beleza. são como as flores cheirosas de morte. nunca gostou de rosas ou tulipas. pôs-se a chorar no bafo quente do banho de todos os dias outra vez.
Escrito por Maria Casadevall às 02h49
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mãos de um maestro ou a valsa das flores
vestido branco de rendas e bordados.tecido leve levinho de não-sei-que-nome. por favor silêncio : a valsa vai começar. ladies and gentlemans gentileza seria se tirassem os sapatos, pois concederam-me um dom. sinto as feridas de antemão. peço-lhes cautela ao conduzir a dama. laaaaaaaaa ra rááááááá incessantemente a valsa dançante. dançantemente a valsa incessante.e lálálálá lá lá tem sangue pingando no teu vestido. perdão? sangue. eu disse flores pingando. não me escuta ? estou dançando.és cego? isso não.faltam-me as mãos ao invés dos ouvidos. danças como sem as mãos ? nao danço. sou o maestro ploc ploc. calçados ainda.Tchaikovsky na imensidão de um rio vermelho.
Escrito por Maria Casadevall às 11h05
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trecho de Clarice
"A máquina do papai batia tac-tac... tac-tac-tac... O relógio acordou em tin-dlen sem poeira. O silêncio arrastou-se zzzzzz. O guarda-roupa dizia o quê? roupa-roupa-roupa. Não, não. Entre o relógio, a máquina e o silêncio havia uma orelha à escuta, grande, cor-de-rosa e morta. Os três sons estavam ligados pela luz do dia e pelo ranger das folhinhas da árvore que se esfregavam umas nas outras radiantes.
Encostando a testa na vidraça brilhante e fria olhava para o quintal do vizinho, para o grande mundo das galinhas-que-não-sabiam-que-iam-morrer. E podia sentir como se estivesse bem próxima de seu nariz a terra quente, socada, tão cheirosa e seca, onde bem sabia, bem sabia uma ou outra minhoca se espreguiçava antes de ser comida pela galinha que as pessoas iam comer."
Perto do coração selvagem - Clarice Lispector
Escrito por Maria Casadevall às 22h35
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o pudim daquela tarde.
a música alta vem da cozinha. tem mania de cozinhar com o som ligado. sempre até anteontem foi assim. sinto o cheiro de pudim invadir a sala. todas estão gritando meu nome na janela. embora lhes tenha dito infinitas vezes que minha mãe não gosta disso. já ameaçou três vezes mudarmos do primeiro para o octagésimo andar "quero só ver se continua esse chamatório na janela" coisa! já estão me esperando há horas no playground "- a brincadeira vai começar sem você hein. vê se não demora" não posso descer.o jantar já está na mesa e apesar de ter comido o mais rápido que pude, quando desci ninguém brincava mais. estavam quase todas casadas.e uma delas era artista de teatro. sabia que não deveria ter esperado pelo pudim da sobremesa.a brincadeira acabara há 14 anos atrás. e o pudim nem estava dos meus favoritos. devo dizer à minha mãe que pare de ouvir música ao cozinhar.têm nos rendido péssimas sobremesas. terei de pular corda sozinha essa tarde. chamei pelos interfones e ninguém respondeu. a não ser um dos apartamentos. uma mulher de voz engraçada disse que o prédio estava a venda desde 1990. sempre houveram rumores sobre uma moradora esquisita que conta mentiras pelo interfone. aonde foi mesmo que larguei minha corda desde a última vez ? minha avó tem razão: nós mocinhas estamos cada vez mais desmioladas.são os rapazes...são os rapazes.
Escrito por Maria Casadevall às 11h12
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inVENTARAM tudo errado
dancemos cirandas de mãos dadas. girar, girar. absoluto estado ébrio. gozemos em nossas mãos. aonde você termina? pintemos quadros com a tinta dos olhos. talvez elas mintam. ja não importam as verdades se não forem mentiras muito bem contadas. sou árvore que sustenta um velho balanço de cordas. sábios os que balançam. aonde estão os que balançam? mortos.meus olhos me enganaram mais uma vez. vejo tudo com a cor da verdade inventada por antI-balANÇADORES.anti? pensei que nazistas usavam bigodes. nao quero ouvir mais nada.quem não está bêbado já não sabe o que diz.inventaram tudo errado.estavam cheios de razão.ora essa dona razão.poesias nunca foram a sua morada.então por favor cale-se até o próximo domingo.
Escrito por Maria Casadevall às 22h03
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sobre velha. chinês. cigarros e sapatos
contraditória ela fumava.sorria terna aos passantes.o chinês atento a vitrine de sapatos da última moda feminina.parece tão sabido.e penso que a cada semana compra um novo par para deixar na porta de seu quarto como se ela fosse voltar da cozinha.não volta. mesmo assim ele compra seus sapatos.deve colecionar livros lidos e nao lidos. provavelmente alguns jornais também. e os velhos novos sapatos semanalmente vao para a lixeira. e como se fossem sua única companhia.a velha e seus cigarros com carinho.ao invés de livros.coleciona saudades.suas rugas me contam o quanto riu e chorou .não tem mais anseios.tem lembranças.tem cigarros. passo por ela e sinto uma mesquinha vontade de lhe pedir desculpas pela minha juventude.
Escrito por Maria Casadevall às 21h35
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bemvindodoismilenove
de joelhos na areia.e eu nao sei porque a flor do meu cabelo era de mentira.meus desejos escorriam como gotas geladas pelas minhas costas.as ultimas lagrimas espremidas entre o novo e o velho.o riso fez-se tao presente.pude sentir a areia nos meus cabelos.
Escrito por Maria Casadevall às 00h47
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tem de ser dito
"A minha percepção é que você é forçado a escolher a realidade em vez da fantasia, e que a realidade acaba por machucar a gente ... A vida é uma situação de perder ou perder"
Woody Allen
Escrito por Maria Casadevall às 00h53
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de mentira
as vezes penso que todos foram feitos sob medida numa fabrica de estupidos seres humanos.
ja que a casa nao e minha.preciso enfiar a cara no travesseiro e gritar beeeeeeeeeeem alto
Escrito por Maria Casadevall às 03h14
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ciranda
'e como rodopiar e dancar na terra umida.tem cheiro de grama.tem cheiro. por instinto borboletas decidem para onde voar.e as crianças sao como aquela vontade imensa de rir quando nao pode. hoje comi bolo de caramelo com chocolate
Escrito por Maria Casadevall às 01h01
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soa bem
"Não tem na Rosa dos Ventos Um horizonte mais fino Que o riso de Mariana Que o riso de Mariana Eu que sabia do mar Saí em busca do mundo Mas acidente maior Meu acidente profundo Eu que sabia de cor Todas as trilhas da terra O mapa-mundo dos mundos Tropecei no riso dela Perdi a vela e o vento No corpo de Mariana"
trechos de Carlos Lyra.são como a brisa.eu adoro
Escrito por Maria Casadevall às 03h04
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por aqui é assim
quero brincar de trocar de roupa.mudo o cabelo e calço os sapatos da minha mãe.amanhã estou careca e com os olhos arregalados.quero brincar de falar baixinho e depois gritar bem alto.então descalçar e andar na terra gelada.sentir medo de minhocas e formigas.depois vestir um jeans bem justo e nadar no amarelo quente do fundo da Terra.voar para Finlândia e depois de quarenta minutos descer em Jundiaí.bom mesmo é chorar chorar chorar e dormir soluçando com os olhos pesados.
Escrito por Maria Casadevall às 02h35
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da minha estante de declarações
"eu pari pra ti um eu que eu censurei"
roubo palavras de Gero Camilo para que minhas quimeras tornem-se inteligíveis.uma de suas canções.canções!
Escrito por Maria Casadevall às 02h23
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